13 de maio, o Dia do Automóvel

Poucos sabem, mas o 13 de maio além de marcar o fim da escravatura, também assinala o Dia do Automóvel, data séria e formal, como define o Decreto 24.224, de 11 de maio de 1934.
 
Razão é a inauguração, à data e em 1926, da primeira estrada pavimentada no Brasil, ligando a Raiz da Serra, proximidades de Xerém, Duque de Caxias, a Petrópolis, RJ. O ato, assinado por Getúlio Vargas, ditador, pegava carona em iniciativa alheia. A estrada pavimentava a ligação da baixada a Petrópolis através da serra. Dita a Cidade Imperial, pois lá o Imperador Pedro II tinha casa de veraneio e de ausências às intrigas da Corte. Era, então, local chique, distinguido para veraneio e fuga do calor carioca.
 
A estrada, copiando as estadunidenses, não utilizava asfalto – que o país não produzia -, mas placas de concreto – cujo cimento o país também importava, era iniciativa do Automóvel Clube do Brasil, sociedade montada para reunir e promover o uso dos veículos automotores, então misto de símbolo de poder com equipamento de locomoção.
 
O Rio de Janeiro era a Capital Federal, tinha poder, e o exerceu sobre Washington Luíz, paulista, presidente, cujo lema, à época do país sem ligações rodoviárias, vinha sendo o vitorioso Governar é construir estadas.

Rio-Petrópolis, construção pelos sócios do Automóvel Clube

Com frota de quase 20 mil veículos - 3/4 de automóveis e o restante de caminhões -, para que o carioca de posses fosse a Petrópolis, ou vencia os ––lamaçais da Baixada Fluminense, as valas e as crateras da Serra, ou apelava para a incoerência da praticidade: colocava o automóvel numa prancha da Estrada de Ferro Leopoldina - também pioneira -, usava o vagão Pullman e fazia a viagem de trem.
A imprensa desancou o governo que apoiou o investimento dos sócios do Automóvel Club e a estrada foi feita.
 
A data vinha sendo comemorada, quando instituída durante o IV Congresso Nacional de Estradas de Rodagem, realizado no Rio de Janeiro na última semana de 1926, e o Chefe do Governo Provisório dos Estados Unidos do Brasil, nome para explicar o estado ditatorial, aproveitou a oportunidade e instituiu a data, como Dia do Automóvel e da Estrada de Rodagem. Com o tempo sobrou apenas para o automóvel. As mazelas da construção e desconstrução, os escândalos do setor não merecem festa.
 
Roberto Nasser
Curador do Museu Nacional do Automóvel